Circuito Pedestre 1 – Rota dos Dinossauros
Descrição do percurso “Na Rota dos Dinossauros”
O percurso pedestre, inicia-se no Museu da Lourinhã, dirigindo-se de seguida para a Igreja de Santa Maria do Castelo. Após visita ao local, sobe-se mais um pouco, ao cruzeiro, de onde se obtém grandes panorâmicas sobre a vila.
De regresso ao caminho, este prossegue em direcção a Labrusque. Depois de se atravessar uma pequena ribeira toma-se à direita um caminho de asfalto que se deixa passados uns 500 metros, entrando então por caminhos agrícolas até àquela localidade, perfeitamente identificável pelo seu moinho.
Aqui, deixa-se o asfalto, dirigindo-se para a costa por um caminho inicialmente entre campos de cultivo e depois por uma zona dunar de onde se obtém extraordinárias vistas sobre toda a costa, especialmente sobre a Praia da Areia Branca. Chegando-se à Praia do Areal, toma-se a estrada de asfalto até ao Seixal e daqui para o Parque de Campismo é um pulo.
Neste local toma-se o passeio marítimo até à Pousada da Juventude voltando-se ao asfalto caminhando sempre para norte, portanto com o mar à esquerda. Passados cerca de dois quilómetros, abandona-se a estrada e toma-se um pequeno carreiro que desce para a Praia do Caniçal. Aqui toma-se uma estrada que se encaminha de novo para a estrada e para o Forte de Paimogo, já ali à frente.
O regresso é feito pelo mesmo caminho, com o rumo inverso ou, em alternativa em transporte público.
Museu da Lourinhã:
Inaugurado em 24 de Junho de 1984 e situado no antigo edifício do Tribunal, bem no centro da vila, pertence ao Grupo de Etnologia e Arqueología da Lourinhã. Constituído pelo mais diverso espólio oriundo de dádivas da população e de trabalhos de prospecção e escavações, pode agrupar-se em quatro grandes grupos: Paleontologia, Arquelogia, Arte Sacra e Etnografia.
Arqueologia:
Nesta sala estão expostos vestígios da actividade humana do paleolítico inferior até à idade média. Calhaus truncados, bifaces, raspadeiras, pontas de seta, machados e enxós polidos mostram ao visitante a origem e evolução do homem.
Epigrafia, cerâmica diversa e o estandarte da Lourinhã comemorativo da Batalha do Vimeiro, transportam-nos até aos nossos dias.
Paleontologia:
Evolução:
Fósseis de invertebrados plantas, peixes, crocodilos, dentes de tubarão, crânio e vértebras de cetáceos, entre outros levam-nos do paleozóico até ao Cenozôico, numa viagem de 450 milhões de anos.
Dinossauros:
Estão representados alguns dos dinossauros que existiam nesta região. O museu possui uma das mais importantes colecções de Portugal e da Península. Assim, podemos apreciar partes de esqueletos de Saurópodes, Terópodes e Estegossárideos.
O acervo inédito composto pela exposição do Dinheirosaurus lourinhannensis do Lourinhanosaurus antunesi e pelos ovos fósseis de Terópode do Jurássico superior, contendo embriões, únicos no mundo e que constituem o “ex-libris” do museu.


Circuito Pedestre 2 – Pelo planalto das Cesaredas
Descrição do percurso “Pelo planalto das Cesaredas”Este percurso pedestre decorre pelo planalto de Cesaredas, tem 20.300 metros, é em circuito e faz a ligação entre cinco localidades de três freguesias do concelho da Lourinhã.Tem o seu inicio e fim junto ao Centro de Artesanato e Museu de Reguengo Grande no entanto, por ser em circuito, pode iniciar-se em qualquer uma das localidades por onde passa. Por uma questão estética faremos a sua descrição a partir daquele centro e no sentido de Moledo.
Etapa um — 4.200 m (do Centro de Artesanato a Moledo)
Do Centro de Artesanato sobe-se por uma nova avenida, no sentido norte, ao cimo da qual se toma, à esquerda, um caminho asfaltado. Rumamos em direcção ao moinho que nos ficará à esquerda quando deixamos o asfalto rumo ao Casal do Arrife. Depois deste tomamos, à direita, um caminho que nos levará à estrada das Cesaredas a qual deixamos após o Casal das Somas. Entramos num caminho à esquerda por entre enormes plantações hortícolas até Moledo, onde chegamos pela Alameda Inês de1 Castro.
Etapa dois — 3.300 m (de Moledo a S. Bartolomeu de Galegos)
Depois da Igreja Matriz, por ruas estreitas, rumamos ao campo de futebol e daqui para a escola primária. A esquina desta tomamos um caminho asfaltado que nos leva a um belo caminho antigo que se encaminha para Sul ao longo de pequeno vale. Chegados a EN 247-1, atravessamo-la, e por entre hortas atingimos uma elevação pouco significativa, rumando agora para Oeste, em direcção a S. Bartolomeu, que já se avista. Por alguns metros voltamos a percorrer a EN 247-1, deixando-a de seguida para tomarmos as ruas da povoação. Após a sede da Junta de Freguesia rumanos para a Igreja Matriz, onde termina esta etapa.
Etapa três - 3.400m (de S. Bartolomeu a Pena Seca)
Deixamos a Igreja Matriz de S. Bartolomeu e tomamos a EN 571, para Norte, em direcção a Paço. Após uns 1.000 metros (não temos outra hipótese), logo que apareça um caminho de terra tida à direita tomamo-lo. É só seguir até Pena Seca que nos aparece lá à frente encavalitada numa arriba. Sobe-se para a aldeia pelo antigo caminho da fonte e do lavadouro.
Etapa quatro - 4.000 m (de Pena Seca a Cesaredas)
Após a capela de Pena Seca ruma-se para Norte optando-se pelo caminho de terra batida que passa por trás do bairro das Poesias. Numa curva daquele sobe-se por um outro à direita que nos leva ao cimo do asfalto do referido bairro. Agora, por um caminho que continua a subir e nos leva a um cruzamento. Optamos pelo caminho da direita, entre muros, no sentido leste. E um caminho largo, bem definido, por entre uma floresta de eucalipto e pinheiros. Após este, outra voz os pomares e as hortas, um pouco de asfalto e estamos na Capela de Cesaredas.
Etapa cinco – 5.800 m (de Cesaredas a Reguengo Grande)
Após a capela de Cesaredas ruma-se para Leste por uma rua asfaltada de novo, que percorremos até ao fim. Após a última casa tomamos um trilho à direita que nos leva a um vale de pomares. Tomamos o caminho que circunda este vale, à esquerda, seguindo por ele até uma casa agrícola isolada, à direita. Por um trilho vamos até à casa e logo tomamos outro caminho à esquerda que vai ao longo do vale. Este termina num mais largo, que tomamos à direita, e depois da passagem da ribeira iniciamos uma subida, até atingirmos uma cumeada. Pouco depois do início da descida tomamos o caminho da direita que desce ainda mais até passar uma linha de água. Segue-se agora uma subida que nos leva por uma cumeada onde predominam os matos e vegetação mediterrânica, testemunhos do coberto vegetal que no passado povoava a região de predominância calcária. Quando o caminho iniciar suave descida, no colo, toma-se um outro mais estreito, á esquerda, que nos leva às antigas azenhas do Vale de Cornagas. Sobe-se agora ao longo do vale com os moinhos de Reguengo Grande lá em cima. Chega-se à igreja pela rua da Calçada daqui para o largo do Chafariz, seguindo-se depois pela rua Dr. José Marques até ao Centro de Artesanato.

Circuito Pedestre 3 – Pelos caminhos da Batalha do Vimeiro

Primeira etapa – 4 600 m (do Monumento ao Parque da Fonte Lima)
A Batalha do Vimeiro tendo-se embora estendido por vários locais das redondezas teve neste sítio o seu desenvolvimento mais emblemático e foi onde se travaram os confrontos mais renhidos.
De um lado, as tropas inglesas, entrincheiradas na povoação e sobretudo no seu cabeço, que defendiam denodadamente esta posição de vantagem de modo a impedir o avanço inimigo e do outro lado, as unidades francesas, que, apesar de terem envolvido a povoação por quase todos os lados, concentraram o grosso das suas forças no planalto que se estende para Nascente e que a todo o custo pretendiam desalojar as forças aliadas das suas posições e obrigá-las a retirar.
Este monumento, erigido em homenagem aos vencedores da Batalha, foi inaugurado, precisamente 100 anos depois, perante muito povo, autoridades civis e religiosas da região, membros do Governo e dignatários da corte, pelo último Rei de Portugal, D.Manuel II, com grande pompa e solenidade como largamente foi noticiado na imprensa da época.
Deixando a zona alta vamos descer até ao vale aberto pelo rio Alcabrichel e pela ribeira de Toledo a qual atravessaremos após terem sido passadas as últimas edificações do Vimeiro.
Esta ribeira assim como o rio constituíram grandes obstáculos para a manobra do exército francês. Iremos atravessá-la de novo mas em sentido contrário cerca de 6 Km mais à frente.
Caminhando na margem direita, quer da ribeira quer após a confluência, do rio e depois de atravessado este 2 vezes no espaço de 100 metros chegaremos às termas do Vimeiro e à povoação de Maceira. Foi na Maceira que se concentraram as tropas portuguesas as quais juntamente com alguns batalhões ingleses constituíram as forças de reserva, a grande maioria das quais não chegou a ser chamada a combate.
Estas forças também estavam preparadas para, em caso de desaire, cobrir a retirada inglesa e permitir o seu embarque em Porto Novo em cujas imediações se encontrava uma esquadra inglesa preparada para o efeito.Entraremos agora no apertado vale da ribeira de Ribamar, também chamada da Marquiteira e depois subiremos ao cabeço de Fonte Lima.
Olhando em redor e relembrando o caminho percorrido é fácil entender porque decidiu Wellesley posicionar-se nestes sítios: pelas vantagens da orografia com vales apertados, linhas de água difíceis de atravessar e sobretudo com as elevações do terreno muito favoráveis para as suas tropas caso fossem atacadas como o viriam a ser.
Para a nova táctica de guerra britânica, a da contra encosta que consistia em colocar o corpo principal das tropas atrás de uma colina ou depressão do terreno de modo a escondê-lo do inimigo, a povoação do Vimeiro, situada numa encosta que termina num cabeço e as elevações e ravinas adjacentes constituíram para tal um excelente ensaio e contribuíram decisivamente para a primeira derrota dos exércitos napoleónicos em toda a Europa.
Libertemo-nos agora das reflexões sobre a guerra e concentremos os nossos sentidos no magnífico Parque da Fonte Lima que iremos atravessar e onde para além de um merecido breve descanso poderemos admirar a sua inegável beleza e beber um pouco da boa água de nascente que aqui brota para além de se poder recorrer ao pequeno Bar aqui existente.
Segunda etapa - 5 200 metros (do Parque da Fonte Lima ao Casal da Falda)
O planalto onde se situam Fonte Lima e Ventosa que percorreremos de seguida foram palco de intensos combates entre o flanco direito dos franceses, formado pelas Brigadas Solignac e Brennier e as Brigadas inglesas de Ferguson, Nightingale e Bowes. Estas, bem posicionados no terreno, repeliram com êxito os franceses que tinham tido muitas dificuldades em atingir estes locais e chegaram descoordenados e atrasados em relação às ordens de Junot quando os combates principais já haviam terminado havia mais de uma hora junto ao Vimeiro. Deixando a estrada de Pregança e abandonando o alcatrão vamos descer para o vale da ribeira de Toledo que atravessaremos depois de ultrapassada a estrada municipal que liga o Vimeiro e Toledo à nacional Lourinhã-Torres Vedras. Subiremos agora a encosta na direcção da Carrasqueira, local onde foi realizada a concentração das tropas francesas e dadas as últimas instruções de combate pelo próprio Junot. A Ala direita, como já vimos, formada pelas Brigadas Solignac e Brennier dirigir-se-ia a Ventosa, Pregança e Marquiteira. Ao centro marchariam as Brigadas Charlot e Thomières, a cavalaria de Magaron e a reserva de granadeiros de Kellerman. O flanco esquerdo era formado pela Divisão Delaborde que concertadamente com o centro deveriam tomar o caminho mais directo para o Vimeiro, isto é pelo planalto via Casais da Falda e da Gaga para que, perto da povoação, a pudessem envolver por todos os lados de modo a tomá-la e expulsar os seus defensores. As 9 horas da manhã desse dia 21 de Agosto de 1808 foi dada a ordem de partida para a batalha.
Terceira etapa - 3 600 metros (do Casal da Falda ao Talefe)
O trilho em que agora seguimos na direcção de Toledo foi percorrido em parte pela Brigada Solignac a caminho da Ventosa. Apenas entraremos muito superficialmente na povoação de Toledo pois logo subiremos ao Casal da Gaga e daí às Estiveiras onde se encontra o marco geodésico conhecido na região por Talefe. Daqui se enxerga magnífica vista para quase todos os quadrantes, distinguindo-se perfeitamente a Oeste o alto do Vimeiro com o seu casario e o Monumento. Foi por estas bandas que tombou mortalmente ferido o coronel inglês Taylor que comandava uma carga de cavalaria constituída maioritariamente por portugueses e que fora enviada a perseguir os franceses em retirada após a sua infrutífera tentativa de tomada do Vimeiro. Estes conseguiram reagrupar a sua cavalaria e suster a muito custo a carga dos homens de Taylor os quais estiveram bem perto de Junot depois de este
ter retirado apressadamente do seu posto de comando no alto das Estiveiras.
Quarta etapa - 4 200 metros (do Talefe ao Monumento)
Ao tempo das invasões francesas todo este planalto e terrenos vizinhos estavam densamente arborizados pelo que as vistas eram muito mais curtas do que hoje.
Iremos descer até à zona dos Carrascais, local onde se posicionou a artilharia francesa para daí abrir fogo sobre as linhas inimigas e permitir o avanço da infantaria e da cavalaria. Partes deste caminho foram percorridos pela ala esquerda dos franceses sobretudo alguns dos batalhões da Brigada Charlot cuja missão era atacar as forças aliadas pelo sul.
Já nos Carrascais não tomaremos o caminho mais directo para o Vimeiro, antes inflectiremos um pouco para norte a fim de passarmos, imediatamente antes das primeiras casas, pelo local conhecido como Lagoa em referência a “Lagoa de sangue” formada pelo muito sangue derramado pelas tropas francesas que desesperadamente procuravam em vagas sucessivas e em campo aberto tomar o cabeço e eram ferozmente repelidas pela artilharia e infantaria das Brigadas inglesas de Fane e Anstruther.
Pelas 11 horas da manhã e depois de várias tentativas em que colocou todas as suas unidades em acção, mesmo as de reserva, tentando forçar a entrada no Vimeiro por vários locais, Junot, com as suas forças quase completamente desbaratadas, viu-se obrigado a retirar. Segundo os cálculos mais optimistas terão tombado no campo de batalha, pelo lado francês, 450 homens, ficando feridos cerca de 1200 e tendo desaparecido ou sido feitos prisioneiros 350.
No campo aliado perderam-se 123 vidas, 534 homens ficaram feridos e 51 desapareceram ou ficaram prisioneiros. Com esta significativa derrota e porque a situação já se estava a tornar insustentável para os franceses, com sublevações generalizadas e a parte norte do país, acima do Douro, completamente fora do seu controle, Junot enviou o General Kellerman de volta ao Vimeiro para negociar a paz com os ingleses de que resultou a assinatura, a 30 de Agosto, da chamada Convenção de Sintra, altamente desfavorável para Portugal e em que os portugueses não foram sequer ouvidos e pela qual os franceses puderam regressar tranquilamente a casa, transportados por navios ingleses, levando todos os seus bens e os muitos valores provenientes dos imensos saques que levaram a cabo por todo o lado desde a sua chegada em 18 de Novembro do ano anterior.
Terminava finalmente a primeira das três invasões francesas do nosso país ordenadas por Napoleão.


Texto e imagem © Câmara Municipal Lourinhã